
1 – Conceito
Sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo, na qual, mediante sinais perceptíveis, a graça de Deus em Cristo e os benefícios da aliança da graça são representados, selados e aplicados aos crentes, e estes, por sua vez, expressam sua fé e sua fidelidade a Deus.
2 - Relação entre a Palavra e os Sacramentos
Diferentemente da Igreja Católica Romana, as igrejas Reformadas salientam a prioridade da Palavra de Deus. Enquanto aquela parte do pressuposto de que os sacramentos contêm tudo que é necessário para a salvação dos pecadores (tornando a Palavra supérflua), estas consideram a Palavra como absolutamente essencial.
2.1 - Pontos de Semelhança entre a Palavra e os Sacramentos. Eles concordam:
a) no autor, visto que Deus mesmo instituiu ambos como meio de graça;
b) no conteúdo, pois Cristo é o conteúdo central tanto da Palavra como dos sacramentos;
c) na maneira pela qual o conteúdo é assimilado, isto é pela fé.
2.2 - Pontos de Diferença entre a Palavra e os Sacramentos. Eles diferem:
a) em sua necessidade, sendo que a Palavra é indispensável, ao passo que os sacramentos não;
b) em seu propósito, desde que a Palavra visa gerar e fortalecer a fé, enquanto que os
sacramentos servem somente para fortalecê-la;
c) em sua extensão, visto que a Palavra vai pelo mundo inteiro, ao passo que os sacramentos só
são ministrados aos que estão na igreja.
3 - O real valor dos sacramentos na perspectiva reformada:
a) O sacramento não tem poder em si mesmo, e nem se torna uma bênção na vida do crente por qualquer virtude ou intenção que tenha a pessoa que o administra.
b) O sacramento consta de duas partes:
1 - Sinal exterior e sensível (água, pão e vinho e o próprio rito ([cerimônia] em si), sob este ponto de vista externo a Bíblia denomina os sacramentos de sinais e selos (Gn 9:12,13; 17:11; Rm 4:11);
2 - Uma graça interior e espiritual. Os sinais e selos pressupõem algo que é significado e selado e que geralmente é chamado matéria interna do sacramento. Esta é variavelmente indicada na Escritura como aliança da graça, Gn 9:12,13; 17:11, justiça e fé, Rm 4:11, perdão dos pecados, Mt 26:28, fé e conversão, Mc 16:16.
4 - Os Sacramentos do Velho e do Novo testamento Comparados
4.1 - Existe uma unidade essencial entre os Sacramentos do Novo e o Velho Testamento, provam-no as seguintes considerações: a)Em I Co 10:1-4 Paulo atribui à igreja do Velho Testamento aquilo que é essencial nos sacramentos do Novo Testamento; b) Em Rm 4:11 ele fala da circuncisão de Abraão como selo da justiça da fé; e c) Em vista do fato de que eles representam as mesmas realidades espirituais, os nomes dos sacramentos são utilizados uns pelos outros: a circuncisão e a páscoa são atribuídas à Igreja do N.T., (I Co 5:7; Cl 2:11), e o Batismo e a Ceia do Senhor à Igreja do V.T.(I Co 10:1-4)
4.2 - As diferenças formais: Mesmo tendo unidade em essência , existem algumas diferenças formais:
a) Em Israel os sacramentos tinham um aspecto nacional em acréscimo ao sentido espiritual;
b) Ao lado dos sacramentos, Israel tinha outros ritos simbólicos, como as ofertas(Nm 6:17) e as purificações(Lv 14:18), que no essencial concordavam com os seus sacramentos, ao passo que os sacramentos do Novo Testamento estão absolutamente sós;
c) Os sacramentos do Velho Testamento apontavam para Cristo no futuro, e eram os selos da graça de Cristo, ao passo que os do Novo Testamento apontam para Cristo no passado e o seu sacrifício de redenção já consumado.
5 – Os Sacramentos Instituídos por Cristo
As ordenanças instituídas por Cristo , sob o Novo Testamento, são duas apenas: O Batismo e a Ceia do Senhor (Mt 28:19; I Co 11;23 e ss.). A igreja Católica Romana afirma haverem mais cinco: confirmação, penitência, ordenação, o matrimônio e a extrema unção e não encontram base sólida nas Escrituras uma vez que o sacramento precisa ser instituído diretamente por Cristo, e não é este o caso.
O BATISMO CRISTÃO
I – Definição : “O batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça e a promessa de pertencermos ao Senhor” (Breve Catecismo, 94)
II – O Modo Próprio do Batismo : Os Evangelhos nos falam que Cristo mandou que se batizasse com água, em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, porém não determina em nenhuma parte o modo de aplicar o batismo. Na igreja cristã há três formas de se aplicar o batismo:
a) Aspersão : Onde se aplica água sobre a cabeça do candidato, aspergindo-a com a mão.
b) Efusão : A água é derramada sobre a cabeça do candidato, geralmente com um vaso.
c) Imersão : O candidato é mergulhado totalmente na água.
A Igreja Presbiteriana considera a forma do batismo como matéria secundária e por isso considera como cristãos, todos os irmãos de igrejas genuinamente evangélicas, seja qual for o modo do batismo, contudo adota a aspersão, não só por ser mais conveniente e utilizado desde o início da igreja cristã, mas acima de tudo por considera-la a que mais se aproxima do significado do batismo, e por isso, a mais bíblica.
Diferentemente, os imersionistas (aqueles que defendem o batismo apenas por imersão), divergem do restante do mundo cristão, tomando a posição de que o mergulho ou imersão, seguido da emersão, é o único modo próprio do batismo, porque esse rito pretende simbolizar a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Desta forma, consideram qualquer outra forma inválido, e por isso geralmente (com raras exceções) negam a comunhão a qualquer um que não tenha sido batizado por imersão.
2.1 – O Que Realmente é essencial no Simbolismo do Batismo?
No item anterior já vimos a posição imersionista. A teologia reformada (Calvinista) vê na purificação o sentido essencial do batismo. Esta idéia de purificação era coisa pertinente em todo o Velho Testamento e também no batismo de João: Sl 51:7; Ez 36:25-27; Jo 3:25,26. Se Jesus pretendesse que o batismo que Ele instituiu tivesse outro significado, Ele teria explicado para não deixar dúvidas. Além disso , a escritura deixa muitíssimo claro que o batismo simboliza a limpeza ou purificação espiritual: At 2:38; 22:16; I Co 6:11; Tt 3:5; Hb 10:22; I Pe 3:21; Ap 1:5. É esse exatamente o ponto no qual a Bíblia coloca toda a ênfase, ao passo que ela nunca descreve o ir ao fundo e subir como algo essencial.
2.2 – Será a imersão o único Modo Próprio do Batismo?
Desde que a idéia fundamental, a saber, a de purificação, ache expressão no rito, o modo pode ser tanto aspersão, como efusão ou imersão. A Bíblia simplesmente emprega uma palavra genérica para indicar uma ação destinada a produzir certo efeito, qual seja limpeza ou purificação, mas em parte nenhuma determina o modo específico pelo qual o efeito há de ser produzido. Jesus não prescreve um modo determinado de batismo, evidentemente, Ele não deu a isso a importância que os imersionistas dão. Muito menos os exemplos bíblicos de batismo acentuam algum modo em particular. Não há um único caso em que se nos diga explicitamente como se deve ministrar o batismo.
2.3 – Supostos Argumentos a favor da Imersão:
1) Paulo em Rm 6:3,4 e Cl 2:12, ensina o batismo por imersão que significa o sepultamento e a ressurreição do crente com Cristo, o que se dramatiza nos atos de imergir em água e emergir dela. Respondemos:
a) A linguagem de Paulo nestes textos é figurada e não fala de nenhum batismo com água, mas sim, do batismo espiritual representado por aquele. Eles descrevem a regeneração com a figura de um morrer e um ressuscitar. É o que Paulo chama de “o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tito 3:5)
b) A dramatização de sepultamento e ressurreição deixa muito a desejar, além disso em Romanos 6:3-6 são descritos na mesma conexão as seguintes expressões: ”Sepultados com Ele”(v.4); “Unidos (No original – plantados) juntamente com ele”(v.5) “com ele crucificados” (v.6). Em Cl 2:11( contexto do versículo citado e tratando do mesmo assunto), temos ainda: “Nele também fosses circuncidados”. Como vemos é impossível harmonizar todas essas ações no ato de mergulhar o batizando. Esse conceito é pois falho e fruto de uma interpretação no mínimo duvidosa.
c) As sepulturas orientais eram feitas na vertical encravadas em rochas (Mat 27:60) e nunca poderiam ser simbolizadas num mergulho.
d) O Batismo não representa a morte , sepultamento e ressurreição do cristão e sim, como vimos a ação purificadora do Espírito Santo na vida do crente. Vale salientar que a purificação dos Judeus era feita por aspersão e não por imersão (Ex 24:5,6,8; 2 Rs 9:6; Lv 16:15,16; Hb 9:11-22).
2) O Vocábulo grego, baptizo, que é derivado de bapto, significa imergir e só imergir. Logo para batizar, tem-se de imergir. Respondemos:
a) O vocábulo bapto só ocorre quatro vezes no N.T., a saber, Lc 16:24; Jo 13:26 e Ap 19:13 e, nestes casos não se refere ao batismo cristão;
b) Realmente, no grego clássico, a principal significação desses vocábulo é imergir, no entanto não é a sua única significação. Até mesmo Dr. Carson, uma das maiores autoridades batistas teve de admitir que bapto tem significado secundário que é morrer, morrer por submersão, ou morrer de qualquer maneira. Para sustentar a sua tese ele admiteque baptizo deriva de bapto apenas em seu sentido primário que é imergir. Além de muito conveniente é a única maneira de sustentar a sua teoria imersionista!
c) O significado das palavras pode com o tempo mudar ou ser acrescentado, por isso é bom salientar que o grego clássico remonta a um período de 700 A.C. e que o no tempo do Novo Testamento a língua era o grego COINÊ (comum). Assim buscar o sentido exato de palavras puramente no grego clássico é um anacronismo lingüístico.
d) É evidente que ambas as palavras, bapto e baptizo, tinham outros sentidos, como os de “lavar”, “banhar-se” e “purificar mediante lavamento”, ou ainda exemplos mais contundentes:
d.1) “lavar as mãos ” (Mc 7:4; Lc 11:38) – O texto fala do costume judaico de lavar as mãos antes das refeições. Em 2 Rs 3:11, vê-se que esta cerimônia era feita derramando-se água sobre as mãos.
d.2) “salpicar ou aspergir” (Ap 19:13) – Aqui é uma referência a um vestido manchado, salpicado com sangue.
3) O mesmo vocábulo grego nunca exprime outra coisa senão o modo do batismo. Respondemos:
a) Já vimos anteriormente que existem outros significados, portanto essa afirmação é improcedente.
b) O batismo significa purificação. É a água e não a quantidade ou o modo de aplicá-la, que é o símbolo da pureza.
c) O batismo com água é também símbolo do batismo com o Espírito Santo (elemento purificador), e este foi descrito em forma de derramamento (Joel 2:28,29; At 2:17). Veja-se Is 44:3 e Ez 11:19; 36:26-27. No cumprimento desta promessa o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, em forma de línguas de fogo, em forma de aspersão. Ninguém é “mergulhado” (imergido) no Espírito, mas sim recebe um derramamento do Espírito!
4) Diz-se que “João batizava no Jordão” e onde havia “muitas águas”. Encontram-se frases como “saíram da água” ou “saiu logo da água” . Logo só pode ter havido imersão. Respondemos:
a) “E eram por ele batizados no rio Jordão” (Mc 1:5). Concluir daqui que eram por ele mergulhados é tirar conclusão apressada demais, pois a frase pode significar simplesmente o local particular em que João administrava o batismo, assim como no versículo anterior designa-se a região com a frase – “estava João pregando no deserto”. Nada nessas frases indica o modo de batizar ou pregar.
b) “Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia muitas águas” (Jo 3:23). Enom significa fontes. É claro que João precisava de um lugar onde não faltasse água para batizar, mas daí inferir-se que ele mergulhava é forçar demais o texto.
c) “Batizado Jesus, saiu logo da água”(Mt 3:16). Conclui apressadamente o imersionista: Se saiu, é porque estivera dentro dela, imerso (mergulhado). Mas, e se provarmos que, mesmo no ato do batismo, alguém entrou na água e saiu dela sem imergir?... É somente ler Atos 8:38-39. Aqui há três verbos, exprimindo três ações distintas: (1) “ambos desceram à água”- ato praticado pelos dois; (2) “Filipe batizou o eunuco”- ato praticado por um só; (3) “saíram da água”- novamente os dois. Nem “descer” ou “sair” da água significa necessariamente mergulhar.
d) A preposição grega usada nesses casos é apó, cuja tradução para o português é “de” indicando lugar de origem, de onde se saiu. Am At 9:8, diz-se que Paulo “levantou-se da terra”, usando a mesma preposição apó. Não se entende aqui que Paulo se tenha levantado de dentro da terra. Alguém pode sair da água, sem ter necessariamente imergido totalmente nela. Ex. Uma criança brinca numa poça d’ água. A mãe diz: “Saia logo da água menino”. Isso não quer dizer que o menino estivesse imerso na poça.
III – Outras Considerações:
1) Dificilmente João teria praticado o batismo por imersão pois ele era filho de sacerdote e fiel às Sagradas Escrituras do Velho Testamento. Por isso mesmo ele foi confundido com o Messias, com Elias e como profeta (João 1:19-28). Porque será que surgiu essa dúvida na mente dos escribas e fariseus com relação à pessoa de João Batista? Vejamos:
a) Perguntaram se ele era o Messias : 1 - A Lei dizia: “Aspergirá o povo” (Hb 9:19-22; Num 19:18)
2 - Os profetas diziam: “Aspergirá o povo” (Ez 36:25)
3 - Cristo veio cumprir a Lei e os profetas (Mt 5:17)
b) Perguntaram se ele era Elias: Porque este havia de preparar o caminho , aspergindo os filhos de
Levi a fim de que estes prestassem ao Senhor um culto aceitável. (Is 40:3;Ml 3:1,3; 4:5; Num 8:6-7)
c) Perguntaram se ele era profeta: Eles aguardavam um profeta semelhante a Moisés (Dt 18:15).
Que tinha feito Moisés ao povo relacionado com o batismo?
Hebreus 9:19 responde: Segundo a Lei, ele havia aspergido todo o povo (Ex 24:6-8).
É muito improvável que um pregador que praticasse uma forma de purificação diferente da que estava proposta pelo Velho Testamento fosse confundido dessa forma pelos escribas e fariseus.
2) João Batista nunca disse que o seu batismo significava um sepultamento seguido de ressurreição! Será que ele se esqueceu? Ou ele não sabia desta novidade?
3) João teria condições de fazer imergir as multidões que se ajuntavam ao redor dele, ou simplesmente derramava água sobre elas como mostra, as pinturas do século 2 d.C.
4) Nas purificações(batismos), dos Judeus eram usados tanques com capacidade de 40 a 60 litros (Jo 2:6)
5) Os apóstolos teriam achado água em Jerusalém e teriam as facilidades para batizar por imersão três mil pessoas num só dia? Onde estão as evidências que provam que eles seguiram algum outro método, que não o modo dos batismos do Velho Testamento? Com relação a isto vale salientar:
a) Em Jerusalém não havia rios, açude, nem outra coleção de água conveniente para imergir três mil pessoas;
b) Os apóstolos não eram bem vistos na cidade e por isso dificilmente receberiam permissão para realizar uma proeza dessas;
c) Um dia não seria suficiente para realizar o batismo de trêsmil pessoas desse modo.
6) Acaso Atos 9:18 mostra de algum modo que Paulo saiu do lugar em que Ananias o encontrara, para deixar-se imergir em algum lago ou rio. É interessante notar que Paulo “levantou-se” para ser batizado. Isso parece indicar, ainda que não conclusivamente, que Paulo foi batizado em pé.
7) Analise cuidadosamente os seguintes textos:
a) 1 Co 10:1-2 - O texto fala que todos foram batizados assim na nuvem como no mar. Observe que a nuvem estava SOBRE o povo de Israel. Se tomar tomarmos a palavra batizados neste contexto e fizermos uma relação com uma forma correta de batismo qual seria? Certamente a resposta é ASPERSÃO, pois eles não foram MERGULHADOS na nuvem. Mais uma pergunta: Quem foi MERGULHADO no Mar Vermelho? Resposta: Os ímpios Egípcios. Quando o povo passou pelo meio do mar, a Bíblia diz que o mesmo fora aberto por vento. O que ocorreu aqui para dizermos que eles forma BATIZADOS no mar? Imersão é que não foi! Que poderia ter sido? Veja que se de alguma forma a água(que é o elemento usos para batizar) do mar chegou até o povo foi por meio de gotículas de água que certamente caiam das paredes de água suspensas pelo Senhor. Novamente: ASPERSÃO!
b) 1 Pe 3:20,21 – O texto fala que, no Dilúvio, Noé e sua família foram “...salvos, através da água, a qual, figurando o batismo...”. Observe bem: Os que foram salvos não foram aqueles que foram IMERGIDOS na água do Dilúvio mas sim, os que ficaram na arca sendo ASPERGIDOS pela chuva: Logo, se a água figurava o batismo, e quisermos usar a figura para compreender a melhor forma de realizá-lo, só poderemos chegar a conclusão que esta forma é a ASPERSÃO!
É inteiramente possível que na era apostólica alguns tenham sido batizados por imersão, mas o fato do Novo Testamento não insistir nisto, prova que a imersão não era essencial. A imersão é um bom modo de batismo, mas também o é a efusão e a aspersão, desde que todos simbolizam purificação. No Velho testamento vimos que muitas abluções (batismos) eram feitos por aspersão. Numa profecia a respeito da renovação espiritual do dia do Senhor no novo Testamento, diz o Senhor: “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados” (Ez 36:25).
Assim sendo, a Igreja Presbiteriana do Brasil considerando as evidências acima, reconhece a validade do batismo realizado na igrejas co-irmãs, admitindo qualquer dos seus membros à participar da comunhão e, ao mesmo tempo, reserva-se no direito de utilizar, também de acordo com as evidências acima apresentadas , a aspersão como forma de batizar os seus membros.
A quem deve ser administrado o batismo:
A Igreja Presbiteriana do Brasil ensina que o batismo não deve ser administrado àqueles que estão fora da igreja visível, enquanto não professarem a sua fé em cristo e obediência a Ele; mas os filhos daqueles que são membros da Igreja visível devem ser batizados ( Gn 17:7,10; At 2:38,39; I Co 7:14;).
Base Bíblica do batismo de crianças:
1. Existe uma unidade essencial entre os Sacramentos do Novo e o Velho Testamento, provam-no as seguintes considerações:
a) Em I Co 10:1-4 Paulo atribui à igreja do Velho Testamento aquilo que é essencial nos sacramentos do Novo Testamento;
b) Em Rm 4:11 ele fala da circuncisão de Abraão como selo da justiça da fé; e
c) Em vista do fato de que eles representam as mesmas realidades espirituais, os nomes dos sacramentos são utilizados uns pelos outros: a circuncisão e a páscoa são atribuídas à igreja do N.T., I Co 5:7; Cl 2:11, e o batismo e a Ceia do Senhor à igreja do V.T., I Co 10:1-4.
2. A aliança feita com Abraão era primariamente uma aliança espiritual, e desta aliança a circuncisão era um sinal e selo. Não existem várias alianças, mas sim uma só. A Bíblia se refere à aliança com Abraão diversas vezes, mas sempre no singular (Ex 2:24; Lv 26:42; 2 Rs 13:23 I cr 16:16; Sl 105:9). A aliança é interpretada no N.T. como sendo espiritual ( Rm 4:16-18; II Co 6:16-18[Compare com Lv 26:12; Ez 37:27; Is 52:11]; Gl 3:8,9,14,16). A circuncisão tinha significação espiritual (Dt 10:16; 30:6; Jr 4:4; 9:25,26; Rm 2:25-29; 4:11; Fp 3:2,3). É interessante notar que a promessa da aliança é até denominada “o evangelho” em Gl 3:8.
3. Esta aliança ainda está em vigência, e é em essência, idêntica à “nova aliança” do N.T. Provam-no os seguintes fatos: a) O Mediador Espiritual é o mesmo (At 4:12; 10:43; 15:10,11; Gl 3:16-29; I Tm 2:5,6) b) A condição é a mesma, a saber , a fé, (Gn 15:6 [Comp. Rm 4:3,9]; Sl 32:10; At 10:43; Hb 11) c) As bênçãos são as mesmas, quais sejam, a justificação (Sl 32:1,2,5; Is 1:18; Rm 4:9; Gl 3:6), a regeneração (Dt 30:6; Sl 51:10), dons espirituais (Jl 2:28,32; At 2:17-21), e a vida eterna (Hb 11:9,10). Paulo argumenta de que a dádiva da lei não anulou a promessa, de sorte que esta promessa ainda permanece (Rm 4:13-18 e Gl 3:13-18). Em Hebreus 6:13-18, o escritor afirma que a promessa feita a Abraão foi confirmada com juramento, de modo que os crentes podem usufruir o consolo da sua imutabilidade.
4. Pela determinação de Deus, as crianças participavam dos benefícios da aliança, e, portanto, recebiam a circuncisão como sinal e selo. Na aliança há um povo ou nação de Deus, um conjunto orgânico tal que só pode constituir-se de famílias. Naturalmente, esta idéia de nação é muito proeminente no V.T., mas o impressionante é que ela não desapareceu depois da nação de Israel ter servido ao seu propósito. Ela foi espiritualizada e, assim, passou para o N.T. , de modo que o povo de Deus, no N.T., também é apresentado como nação, Mt 21:43; Rm 9:25,26 (Comp. Os 2:23); II Co 6:16; Tt 2:14; I Pe 2:9. No Velho testamento, as crianças eram consideradas parte integrante de Israel como o povo de Deus. Estavam presentes quando era renovada a aliança (Dt 29:10-13; Js 8:35; II Cr 20:13). Tinham lugar na congregação de Israel, estando presentes em suas assembléias religiosas (II Cr 20;13; Jl 2:16). Em vista de promessas ricas como as de Is 54:13; Jr 31:33,34 , dificilmente esperaríamos que os privilégios de tais crianças fossem reduzidos no N.T., e , certamente, não procuraríamos sua exclusão de todo e qualquer lugar na igreja. Jesus e os apóstolos não as excluíram (Mt 19:14; At 2:39; I Co 7:14). Para haver uma exclusão como esta seria necessário uma declaração muito explícita a esse respeito.
5. No Novo Testamento, o batismo, pela autoridade divina, substitui a circuncisão como o sinal e selo iniciatório da aliança da graça:
a) A Escritura ensina que a circuncisão não pode mais servir como tal (At 15:1,2; Gl 2:3-5; 5:2-6;
6:12,13,15);
b) Se o batismo não lhe tomou o lugar, o Novo Testamento não teria nenhum rito iniciatório, mas
Cristo o estabeleceu como substituto ( Mt 28:19,20), pois:
c) Seu sentido espiritual corresponde ao da circuncisão. Como a circuncisão se referia à eliminação do pecado e à mudança de coração(Dt 10:16; 30:6; Jr 4:4; 9:25; Ez 44:7,9), da mesma forma o batismo se refere ao lavamento purificador do pecado (At 2:38; I Pe 3:20,21; Tt 3:5) e à renovação espiritual ( Rm 6:4; Cl 2:11,12). Vê-se de forma muito clara que batismo e circuncisão são correspondentes em significado e essência.
O texto de Colossenses 2:11,12 liga claramente a circuncisão ao batismo, e ensina que a circuncisão de Cristo, isto é, a circuncisão do coração, simbolizada pela circuncisão da carne, é realizada pelo batismo, isto é, por aquilo que o batismo simboliza, conforme também Gl 3:27-29. Mas, se as crianças recebiam o sinal e o selo no Velho Testamento, a pressuposição mais lógica é que certamente elas têm direito de recebê-lo no Novo.
Para que esse direito fosse excluído teria sido necessário uma ordem clara, mas é exatamente o oposto que se vê (Mt 19:14; At 2:39; I Co 7:14).
Principais objeções ao batismo de crianças:
1 - A Igreja Romana é que introduziu a prática do batismo infantil. Respondemos: Essa afirmação é fruto do desconhecimento da história da igreja, pois o batismo infantil sempre foi praticado na Igreja Cristã. As igrejas como a Ortodoxa Grega, Armeniana, Nestoriana e Abssínia, que nunca aceitaram a autoridade de Roma, sempre batizaram crianças. A idéia de abolir o batismo de crianças só surgiu no século XII com Petrobrussianos, e no XVI com os Anabatistas , os quais originaram os batistas. Obs.: Para a Igreja Católica o batismo tem o poder de lavar o pecado original e os atuais. Sem ele ninguém entra no céu. Além disso usa - se na cerimônia óleo e sal bentos. Por isso nada tem a ver com o batismo praticado nas igrejas presbiterianas!
2 - Não há Bíblia uma ordem para se batizar crianças. Respondemos:
a) Isto é correto, mas não refuta a validade do batismo de crianças. Observe-se que existem muitas práticas cujo mandamento não está claro na Bíblia como por exemplo, a admissão de mulheres à comunhão (Santa Ceia) e a guarda do domingo, contudo são conclusões tiradas logicamente.
b) Será que esse silêncio da Escritura não deveria ser interpretado a favor e não contra o batismo infantil? Vejamos: Durante vinte séculos as crianças tinham sido iniciadas formalmente na igreja (através da circuncisão), e o Novo Testamento não diz que isto agora deve cessar, ao mesmo tempo que ensina que a circuncisão não serve mais para aquela finalidade. O Senhor Jesus instituiu pessoalmente outro rito ,o batismo, que já vimos corresponde em significado e essência à circuncisão. No dia de Pentecostes, Pedro disse aos que se ajuntaram à igreja que a promessa era para eles e para os seus filhos, e a quantos mais o Senhor chamasse. Esta declaração prova, no mínimo, que Pedro tinha em mente uma concepção orgânica da aliança (vide item 4 na pg. anterior).
c) Pode-se questionar perfeitamente que assim como não existe uma ordem clara para batizar crianças, da mesma forma não existe também uma ordem para não fazê-lo.
3 - Não há na Bíblia exemplo de batismo de crianças . Respondemos:
a) É certo que a Bíblia não diz explicitamente que crianças foram batizadas, embora nos informe vários casos em que o rito foi ministrado a famílias inteiras, o que mostra que era algo comum e natural ( At 16:15, 33; I Co 1:16). É perfeitamente possível, mas não provável, que todas essas famílias não tivessesm crianças em seu meio.
b) A ausência de referências definidas tem explicação em boa medida no fato de que a Escritura nos dá um registro histórico da obra missionária dos apóstolos, e não da obra empreendida nas igrejas organizadas, e a ênfase nesse caso recairia sempre no batismo de adultos. Note-se que todos os batismos registrados são de pessoas que não eram cristãs, uma vez que o relato é justamente do período de nascimento do Cristianismo. Além disso , nem sempre as condições eram favoráveis ao batismo de crianças. Os conversos não teriam de imediato uma adequada concepção dos seus deveres e responsabilidades espirituais. Às vezes só um dos pais se convertia e é perfeitamente conceptível que o outro se opusesse ao batismo.
c) Seguindo esse raciocínio podemos perguntar: - Há na Bíblia algum exemplo do batismo de um adulto nascido e criado num lar cristão? Não há risco nenhum de que algum dia alguém ache esse exemplo.
4 – Não se tem certeza da salvação da criança ao se tornar adulta. Respondemos:
a) O imersionista, ao imergir o adulto tem certeza absoluta da sua salvação? Se não tem, porque exigir isso de nós?
b) Muitos, mesmo batizados quando adultos abandonam a fé e ninguém lhes nega o batismo com base em uma possibilidade de abandono dessa fé!
5 – A criança não pode exercer fé racional, logo, não deve ser membro da Igreja. Respondemos:
a) Os meninos Isaque, Jacó e José foram membros do Israel de Deus. Porque nossos filhos não podem ser membros da Igreja? Deus mudou de opinião? Não. Jesus nos ensina o contrário: Afirma que das crianças é o reino de Deus. E sobre o privilégio dos adultos contesta: “Em verdade vos digo: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele.”(Mc 10:15). Os “grandes teólogos” de hoje dizem: Cresça, raciocine, creia, para entrar para Igreja de Cristo. Jesus inverte: Diminua, abandone sua racionalidade, torne-se como menino para ser recebido no reino dos céus, uma dádiva da graça, que não se recebe pela razão.
b) A Fé não depende da razão humana, e sim da graça de Deus (Ef 2:8)
c) Se a fé dependesse da razão para ser adquirida, dela igualmente dependerá para ser mantida. Então quem perde a razão, perde a fé; perdendo a fé, perde a salvação? Neste caso, a loucura é dupla desgraça: Perda das faculdades mentais e perda da salvação por eliminação da fé racional. E os velhos crentes que se esclerosam, morrendo em tal estado, como ficam? Ou a “responsabilidade” anterior vale durante e depois da doença (estado em que são irresponsáveis)? Problemas!!! As coisas de Deus são “loucuras” para a razão humana, para a lógica racional (I Co 1:26-29). Melhor depender de Deus e de sua graça do que do homem e de sua razão. O Deus da Bíblia é soberano e não depende do homem nem para a própria salvação deste. Ele é quem opera tudo em todos, descobre o homem e o salva (Jo 6:37,44,65; I Jo 4:19; Jo 15:16)
6 - A Bíblia ensina que o que crer e for batizado será salvo. Ora, a criança não crê, como pode, pois ser batizada?
Respondemos:
a) Tanto no Novo como no Velho Testamento, a salvação era por meio da fé, contudo nem por isso era negado às crianças do Velho Testamento o sinal e selo de pertencer ao povo de Deus por elas não poderem exercer fé, uma vez que elas recebiam esse benefício através de uma relação pactual.
b) O texto é um mandato missionário, e é perfeitamente claro que as pessoas que Jesus tinha em mente quando proferiu essas palavras eram os adultos das nações que seriam evangelizadas, por isso não pode ser usado como argumento contra o batismo infantil.
c) Os imersionistas generalizam essa declaração ensinado que ela torna todo batismo dependente da fé ativa do batizando. Assim sendo deveriam também elaborar , diante da afirmação do texto de que “o que não crer será condenado” o seguinte raciocínio: “A fé é requisito indispensável para salvação. As crianças ainda não podem exercer fé. Logo, as crianças não podem ser salvas e todas estão portanto condenadas ao inferno.” Contudo esta é uma conclusão da qual o próprio imersionista recua.
d) Em II Ts 3:10 está escrito “Quem não quiser trabalhar não coma”. Seguindo esta linha de interpretação as crianças não deveriam ser alimentadas, uma vez que sequer podem trabalhar.
e) A principal característica do verdadeiro filho de Deus é ter o Espírito Santo na vida. É interessante que João, O BATISTA, já era cheio do Espírito desde o ventre materno! (Lc 1:15) . Ora se é possível a uma criança ser cheia do Espírito até mesmo antes de nascer como poderemos julga-las e excluí-las da igreja visível.
CONCLUSÃO
Temos aprendido que a Bíblia é um todo harmônico. Qualquer doutrina para ser considerada bíblica, deve estar em acordo com o ensino geral das Escrituras do Velho e Novo Testamentos. Precisamos fugir de interpretações apressadas e baseadas em um ou dois versículos ou até mesmo em pressupostos e raciocínios aparentemente lógicos, porém humanos. A Escritura deve estar acima dos nossos “achismos” e das nossas opiniões pessoais. Assim sendo, como pais cristãos não podemos excluir nossos filhos das bênçãos espirituais reservadas à eles por instituição do próprio Deus. Se assim fazemos, estamos indo diretamente de encontro à vontade que Deus claramente estabeleceu em sua Palavra. Não excluamos da igreja visível, aqueles que Jesus admitiu no Reino dos céus ( Mt 18:2,3).
1) A INSTITUIÇÃO DA CEIA
A celebração da páscoa descrita no capítulo 12 de Êxodo já não se fazia pelo mesmo modo no tempo de Jesus. Usava-se, então, celebrar a Páscoa em grupos de, no mínimo, dez pessoas. Nessa cerimônia havia ação de graças, bebiam-se quatro copos de vinho misturados com água, em diversas vezes, bebendo primeiro o presidente, que passava depois o cálice ao redor, para que todos bebessem; comiam-se ervas amargas e o cordeiro pascal, que era o símbolo de Cristo, e o pão sem fermento. Logo que se bebia o primeiro cálice, uma criança ou um prosélito que ali se encontrasse fazia a pergunta de acordo com Êx 12.26: “Que culto é este vosso”? Isso dava margem a que o presidente fizesse uma exposição sobre o assunto.
Alguns são de parecer que Cristo presidiu apenas uma Páscoa, e foi justamente nesta ocasião que Ele instituiu a Santa Ceia ( Mat 26.30 e referências)
2) DEFINIÇÃO
“Ceia do Senhor”, que também se chama Santa Ceia ou Eucaristia, “é o sacramento no qual, dando-se e recebendo-se o pão e vinho, conforme a instituição de Cristo, anuncia-se a sua morte, e aqueles que participam dignamente, não de uma maneira corporal e carnal, mas pela fé, tornam-se participantes do sangue e do corpo, com todas as suas bênçãos para o seu alimento espiritual e crescimento em graça” ( Vejam-se 1Co 11.23-26;1 Co 10. 16. Breve Catecismo 96).
3) A PRESENÇA DE CRISTO NA SANTA CEIA
O corpo e o sangue de Cristo estão presentes à fé do comungante, tão verdadeira e realmente como os elementos- pão e vinho- estão presentes ao seus sentidos. A presença é, portanto, espiritual e não corporal e carnal, como ensina o Romanismo. Não se dá, como quer a referida igreja, a transubstanciação, isto é, a transformação do pão em corpo e do vinho em sangue de Cristo, não estando Cristo presente em corpo, alma e divindade, como está no céus.
4) RAZÕES PORQUE REPUDIAMOS A DOUTRINA DA TRANSUBSTANCIAÇÃO
a) O argumento geralmente evocado pelos romanistas, de que Deus tem poder para transformar o pão em corpo de Cristo, não procede. Não prova nada porque prova demais. O ponto aqui não é que Deus tenha ( ou não) poder para realizar alguma coisa, mas se realiza ou quer realizar. Cristo tinha poder para transformar uma pedra em um pão, quando tentado por Satanás - mas não transformou.
b) Cristo mandou que se celebrasse a Santa Ceia em memória; “Fazei isso em memória de mim”( 1 Co 11.26). Onde há memória não há presença.
c) A química nos demonstra que se dois ou mais elementos se combinam, formando um novo corpo, este terá sua propriedades diferentes das do elemento que o formaram. Por exemplo, o oxigênio e o hidrogênio, que são gases, combinado-se, dão origem à água que é um líquido, de propriedades bem diferentes. Ora, o pão (hóstia), mesmo depois de consagrado, tem as mesmas propriedades do pão - o gosto, o cheiro, a cor, a forma. Conclui-se, logicamente, que não houve nenhuma transformação. O mesmo se pode dizer do vinho. O milagre de Caná é a prova disto. Jesus transformou a água em vinho mas ninguém teve dúvida alguma da transformação, pois o vinho era de fato vinho, e melhor do que eles haviam bebido.
É importante notar que nenhum dos milagres de Jesus foi posto em dúvida, mesmo pelos seus mais acirrados adversários.
5) A COMUNHÃO EM UMA ESPÉCIE
O Romanismo dá aos seus comungantes apenas o pão. Não temos na Bíblia ensino que apoie essa prática .O que nós lemos é que Jesus deu aos seus discípulos o pão e o vinho e, ao dar esse último, acrescentou; “Bebei dele todos”( Mt 26.27; Mc 14.23). Eis a razão porque nós, os evangélicos, participamos do pão e do vinho.
“A missa, ou recepção do sacramento por uma só pessoa, bem como a negação do cálice ao povo, a adoração dos elementos, a elevação ou procissão deles para serem adorados e a sua conservação para qualquer uso religioso, são coisas contrárias à natureza deste sacramento e à instituição de Cristo” (Confissão de Fé, cap.XXIV,IV).
6) AS BÊNÇÃOS DA SANTA CEIA
“Os que comungam dignamente, participando exteriormente dos elementos visíveis deste sacramento, também recebem intimamente, pela fé, a Cristo crucificado e a todos os benefícios de sua morte e neles se alimentam, não carnal ou corporalmente, mas real, verdadeira e espiritualmente; não estando o sangue e o corpo de Cristo, corporal ou carnalmente nos elementos, pão e vinho, nem com eles ou sob eles, mas espiritualmente e realmente presentes à fé dos crentes nessa ordenança, como estão os próprios elementos aos seus sentidos corporais” (Confissão de Fé, cap.XXIX,VII).
7) A SANTA CEIA É UMA FESTA.
A Santa Ceia, conquanto seja a comemoração de morte de Cristo, para nós, os crentes, é uma festa, uma ceia. Assim sendo, algumas idéias são patentes.
a) O preparo que lhe é devido. Uma festa exige preparo. Muito tempo antes já se pensa nela. Depois, todos fazem questão de se apresentar com vestes limpas e bonitas. A Ceia também exige um preparo espiritual a fim de o crente se apresentar diante de Deus com o seu coração limpo, com sua vida digna. Não se pode exagerar a necessidade desse preparo prévio, para se tornar parte na mesa do Senhor. Paulo diz que: “Qualquer que comer este pão ou beber esse cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor”, e acrescenta: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo e coma deste pão e beba deste cálice”(1Co11.27,28). Destas palavras concluímos que o crente precisa estar preparado para participar de Santa Ceia, como deve estar para se encontrar com Cristo, ou na sua ida ( do crente) ou na sua vinda ( de Cristo).
b) Alegria. Todos devem comungar alegremente. Não deve haver malquerenças e ressentimentos. Todos os corações devem pulsar de amor e de alegria na presença de Cristo.
c) Alimento. A Santa Ceia é para alimentar espiritualmente o crente. Todo homem está sujeito a baixas de temperatura na sua espiritualidade, a fraquezas na vida. Um modo de se reanimar, de retemperar sua forças, de se preparar para as lutas da vida é a comunhão com Deus por meio da Santa Ceia.
“Examine-se, pois, o homem a si mesmo e coma deste pão e beba deste cálice” (1 Co 11,28).
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