O sofrimento precisa ser administrado sabiamente

25.05.2008 17:17

Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração.(Ec 7:3)

 (Leia em casa: Ec 7:1-6).

                Aprendemos que o autor define as experiências de sofrimento como “melhores” (vv. 1,2,3,5) e que isso nos mostra que devemos alterar a visão que temos daquilo que nos parece mais desagradável. Vimos que não temos como fugir dos fatos desagradáveis mas podemos passar a enxergá-los de outra maneira. A questão que se levanta é por quê? Por que razão eu posso considerar o sofrimento como uma coisa boa?

                A resposta se encontra nas entranhas do texto, especificamente no fim do verso 2: “naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração”, no fim do v. 3, “com a tristeza do rosto se faz melhor o coração” e com uso das palavras “sábio” e “insensato”, nos vv. 4, 5 e 6. Vejamos esses versículos na tradução NVI: “…a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!… o rosto triste melhora o coração.” Essa versão utiliza ainda a palavra “tolo” em lugar de “insensato.” A idéia geral comunicada é que o sofrimento, devidamente, trabalhado, pode produzir sabedoria. De certa maneira, o sofrimento é descrito neste texto como uma escola, um centro de aprimoramento da alma.

                A construção de um bom nome exige a prática diária da honestidade, disciplina e caráter firme. Isso pode gerar oposição, perda de vantagens ou privilégios e até mesmo o impedimento de concretização de alguns planos. O trato com as coisas da morte produz amadurecimento: passa-se a dar às coisas o seu devido valor (Deus, pessoas, bens); desfruta-se da vida mais grata e apuradamente. Ouvir a repreensão exercita a humildade, aperfeiçoa a moral (uma vez que absorvemos uma parcela da sabedoria dos irmãos) e desenvolve a flexibilidade, a capacidade de dobrar-se (o bom arco, o mais flexível, lança as flechas mais longe). O resultado de alguém que passar por tudo isso é uma alma mais semelhante a Cristo, um espírito transformado.No sofrimento reproduzimos, em escala diminuta, a pessoa de nosso Senhor. Jesus Cristo foi “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). O apóstolo Paulo era capaz de afirmar que trazia “no corpo as marcas de Jesus”(Gl 6.17). Em 2Co 1.7 ele diz que todos nós participamos tanto do sofrimento quanto da consolação do Senhor.

                Todo sofrimento é uma prova; no sofrimento, a fé é testada. Na angústia revelamos o que pensamos, o que sentimos — enfim, o que cremos, de fato, acerca de Deus. Na tribulação podemos maldizer e blasfemar ou adorar e obedecer. Jó é um exemplo de seguidor de Jesus maduro e reprodutivo. Diante do caos, após perder os bens, os filhos e saúde, ele bendisse ao Senhor de modo que “em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” (Jó 1.21-22).

                O sofrimento nos faz mais sábios ou revela o quanto somos tolos, insensatos. Na verdade, o momento fervoroso de adoração revela os cantores; o sofrimento revela os eleitos — aqueles que são, sem dúvida, escolhidos para a salvação. Tal como afirmou Ian H. Murray, em uma biografia de Jonathan Edwards, “Deus testa as graças do seu povo com  perseguições, para que o poder da sua graça neles possa transparecer para a glória dele, diante de pessoas, anjos e demônios.”

                Que o Senhor vos abençoe!                                                                     

               Rev. Simonton

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